
Instalei esse jogo já tem muito tempo, mas só vim resenhar hoje porque enrolei muito com uma rota e por não saber como escreveria sobre. Com toda a polêmica com Moonlight Lovers e com a Beemoov que continua no ar, nada melhor que trazer um jogo com algumas semelhanças para apresentar a vocês.
Ephemeral se passa num mundo onde diversas raças sobrenaturais existem e, mesmo que tenha uma hierarquia e muito preconceito, vivem juntas. Bem, todas menos os zumbis, pois podem contaminar os outros, vivendo isolados em uma aldeia.
Curiosa sobre o mundo lá fora, nossa protagonista zumbi recebe misteriosamente uma carta de admissão da escola. E assim começa propriamente a trama, com ela encarando a turma e escolhendo um dos quatro rapazes para ajudá-la na adaptação ao novo ambiente.
Jogabilidade
Em cada login realizado, recebemos 35 moedas para comprar cada capítulo, que custa 40, mas é possível ganhar moedas assistindo anúncios, o que é muito útil para ajudar a avançar na história, e acumulá-las para jogar tudo de uma vez só. O primeiro capítulo de cada rota é gratuito, então, antes de investir, eu recomendo jogar todos para conhecer cada personagem.
Cada rota é dividida em duas partes, a parte do romance e a parte dos amantes, que é a continuação da anterior, cada uma com dois finais. Depois que você compra um capítulo, ele é seu para jogá-lo quantas vezes quiser e para, inclusive, alterar a resposta e conseguir os dois finais.
Cada capítulo tem mais de 30 diálogos, o que significa que dá pra ler bastante todo dia! 💖
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História
O enredo gira todo ao redor da vida escolar de Cloe em sua primeira escola após viver anos em uma aldeia de zumbis onde nenhuma outra espécie poderia entrar. Ela só tinha como companhia sua avó e a bruxa Rain, a qual visitava às escondidas.
Cloe sempre quis sair, conhecer o mundo, logo, o convite repentino para a escola Alderic foi quase um sonho virando realidade. Mas. antes de sair para a escola, a avó diz para a nossa zumbi que não deve se apaixonar. Já que se trata de um otome, a gente sabe que ela não ouviu o conselho.
A história tem "furos" que deixam algumas coisas sem sentido e até desconfortáveis. Os zumbis têm aqui uma condição ridícula, pois, em vez de comerem cérebros, são frágeis, devem tomar um remédio para não "contaminarem" os outros e apodrecem com o tempo, restando apenas ossos, o que faz com que muitos cometam suicídio.
Mas, mesmo tomando a medicina, eles não podem sair da aldeia, o que mostra que o problema é, no fim, o preconceito das outras raças. A própria heroína, mesmo sendo considerada bonita, teme ficar "feia" e ser largada pelo garoto que gosta. Além disso, por ser da raça mais baixa, todo mundo pode, literalmente, mandar nela, então as ameaças são constantes.
Para completar, acontecimentos importantes estavam em uma rota, mas não nas outras. É como se, dependendo de quem escolhêssemos, certas coisas não fossem relevantes quando são, principalmente porque a maioria delas é sobre a Cloe. É estranho saber mais sobre os outros personagens do que sobre quem nos representa no jogo.
Personagens

Shiba é um lobisomem, logo, uma das classes mais altas, mas, ao contrário do que se espera, não é arrogante, pelo contrário: é o personagem mais divertido do jogo inteiro. Não conseguia parar de rir em várias cenas!
Ele, no começo, nos alerta sobre os perigos das noites de lua cheia e se faz de sério, mas, a medida que descobrimos seu segredo, as coisas mudam bastante. Shiba é tão bobinho, cai fácil nas piadas dos colegas, não consegue fazer as próprias darem certo... é um menino "comum" e isso traz seu charme.
Mas se engana quem acha que tudo fica assim, tão doce, pois, bem perto do final, as coisas viram de cabeça para baixo. Os finais são ótimos, o bom é tudo o que a gente quer que aconteça, enquanto o ruim cumpre o que promete, mostrando que, lá no fundo, tudo tem um preço.

Minha rota favorita desse jogo inteirinho! Nagi é um homem invisível, uma raça baixa, como a nossa pequena zumbi, e por isso, entende bem as dores dela e sempre tenta ajudá-la. Ele, ao contrário de outros aí, não a trata mal por razão nenhuma, o que faz a rota ser a mais leve e doce de todas.
Posso até ser suspeita falando isso, mas essa é realmente a rota mais bem desenvolvida do jogo, pois, além de mostrar a relação entre os personagens, mostra também a história da família da protagonista, explica a admissão dela na escola e ainda resolve o mistério do diretor.
As únicas coisas que odiei foram os finais que deram para esse personagem tão lindinho: o final bom é triste e, o ruim, é de destruir o coração. É injusto? Óbvio, mas o bom de chorar é que é de graça, então aproveitem.

Ray, um vampiro, a segunda classe mais alta, é o típico orgulhoso e narcisista e tem uma das rotas mais tóxicas. Só se interessa pela heroína por sua aparência e não faz nada além de insultá-la, mas, claro, em vez de deixá-lo para lá, ela simplesmente continua insistindo.
Mesmo entendendo melhor sua realidade e rindo de poucos diálogos, sua arrogância ainda não é justificável para mim. Quando parece que vai melhorar, temos uma cartada do pior clichê dos clichês, o que fere muito a autoestima da heroína e deixa a história mais impossível que antes.
Os finais são um tanto inusitados. O final bom é muito bonito, mas forçado, e o final ruim faz jus ao nome. É a única rota onde, além de lesionada já na primeira parte, ela pode ter um destino ainda pior que a morte.

Natsume é a personificação da radiação máxima, com uma rota vinda diretamente de Chernobyl. Além de rude no começo, é cheio de segredos, possessivo, manipulador e todo mundo, até a rival mixuruca da trama, percebe isso, menos, claro, a protagonista, que o defende com unhas e dentes.
Essa história me deixou nervosa do começo ao fim. Além de romantizarem um personagem que acaba com a liberdade da protagonista e ameaça torturá-la e mutilá-la (!!!) para que nunca saia do seu lado, a deixaram como uma pateta achando que está tudo bem, porque ela o ama.
Além disso, a história nem é desenvolvida de tanto filler que tenta justificar o motivo de ele ser assim. Foi a coisa mais ridícula que li na minha vida, não quero saber desse personagem nunca mais.
Agora, falando sério: se você passou por um relacionamento abusivo, não leia essa rota. Alguns diálogos podem te trazer lembranças ruins e te deixar mal. Prefiro ser exagerada dando esse aviso a ser irresponsável não falando a verdade.
Ephemeral da Steam é diferente?
A verdade é que esse jogo tem bastante história, principalmente no Japão. Foi provavelmente o primeiro jogo da HuneX e teve uma recepção boa o suficiente para que fosse lançado para PS Vita pela Dramatic Create (que também é responsável por OzMAFIA) e, depois, fosse liberada na Steam em outros idiomas.
Em suma, as únicas diferenças entre a versão mobile e as versões para Vita e PC são:
- Voice acting maravilhoso, que mostra que a única coisa que presta no Natsume é a voz que escolheram pra ele;
- Gráficos em alta definição;
- Não ter que acumular moedas pra comprar o capítulo.
Comprar ou não comprar, é com vocês. Talvez, um dia, quando estiver trabalhando, eu lembre da história do nada e fique com vontade de lê-la de novo, pra, aí sim, gastar mais de 70 reais com ele e me aborrecer com os mesmos personagens. Mas, enquanto puder jogar de graça e assistir anúncios pra ajudar a empresa, junte sua graninha pra comprar outro game.
Conclusão
Ephemeral tem uma premissa não tão clichê, com alguns diálogos divertidos, uma interface linda, uma arte maravilhosa e, ao contrário de outros jogos, não é mercenário. Vale a pena jogar para passar o tempo, mas não vá com grandes esperanças em relação à história (e nem leve a sério o livre para todos os públicos no Google Play, está longe de ser.)
Se eu tivesse que dar uma nota, eu daria 5/10. É ótimo em vários aspectos, mas a escrita pode ser terrível, como vocês já viram. Não deixaria de comentar sobre esse jogo por ter amado duas rotas e por ser fácil de jogar, mas é longe de ser uma história memorável. A decisão de instalar ou não é realmente de vocês.
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